domingo, 2 de março de 2008

Da série: Longínquos Amores – Beatriz

Pintura - Jean Delville
Suas mãos eram elegantes. Pareciam reger uma orquestra imaginária. Seus olhos pareciam desfilar na passarela de meus delineamentos, quão atentos e altivos eles me fitavam. Seus olhos negros se misturavam a noite. Estando com ela, mesmo de dia, eu tinha a companhia da noite de seus olhos. Da noite que eram seus olhos. Seus cílios eram tristes, o que tornava o seu ocaso mais poético. Sua pele era delicada, convidativa para um passear de mãos tenras e dedos estarrecidos. Seus cabelos emolduravam com fineza a formosura da paisagem de sua face. Seus lábios eram litúrgicos.
Lírica sua fala e íntimo o seu cerrar de pálpebras. Encantante a sua alma e formoso o seu ruborizar. Sua maior ousadia, estando comigo, foi quando em silêncio conduziu minha mão para o calor do seu seio adolescente. Foi com palavras dormindo que versifiquei o nosso romance.
Desculpe-me amiga, mas, depois de Dante não sei como sublimar o teu nome.

5 comentários:

Patrícia Colmenero disse...

Alessandro, obrigada pelo seu comentário no meu blog. Desculpe a demora pra vir visitar o seu. Estava sem tempo até para escrever, mas agora que consegui postar, vim dar um tour por aqui.
Adoro esse quadro da Ofélia! É muito belo e melancólico.
"Desculpe-me amiga, mas, depois de Dante não sei como sublimar o teu nome. "
Totalmente intrigante!
Abraço!E apareça no meu blog. Postei algo novo.

diego recife disse...

Mais uma joia literária. abraços!

Pri... disse...

Beatriz é uma mulher de sorte... A de Dante e a sua.

Anônimo disse...

As mulheres tristes, serenas, te encantam...pq será? kkkk

Anônimo disse...

"Desculpe-me amiga, mas, depois de Dante não sei como sublimar o teu nome." Tu não existe! ��