terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Cubículo 69


Pintura - Picasso

Morto, abandonado, jogado maltrapilho no quadrado do seu mundo.
Morto, com sonhos enfermos amontoados sobre seu leito, impedido-lhe de deitar sua eternidade.
Morto. Com o nome escrito no mármore frio, orvalhado pela brisa da noite a única que não o esqueceu.
Morto, agora sem sonhos, sem lágrimas, sem oração, mas, existindo orgulhoso no esquecimento do seu deus.
No esquecimento de Deus.

7 comentários:

Diego Recife disse...

Hospício... tua cara esse poema.

Maira corossate disse...

Viver em Deus, mesmo que seja em seu esquecimento deve ser extraordinário. Até mesmo na condição de morto. Adoro teus textos.

Juliana disse...

Oi Alessandro
Obrigada pela visita ao meu blog e pelo coment�rio. Invejo as pessoas como voc� que conseguem concentrar as emo�es e id�ias em poucas palavras. Por enquanto, ainda me espalho e me desmancho em muitas delas. Quem sabe um dia consigo?
Apare�a mais vezes. Vou voltar por aqui tamb�m.

Juliana Vermelho Martins disse...

Sei lá o que houve com o Blogger... Meu perfil se perde no outro link :-)
Acho que agora vai estar certo!

GABRIELA disse...

un muerto que no deja de resucitar...
eso es un poema...
besitos...

Pri... disse...

Alessandro,

Esse tipo de morte é uma escolha - consciente ou não - mas é uma escolha. Ela me causa angústia porque uma pessoa que morre desta forma, com estes sentimentos, me parece ser alguém que tem um universo dentro de si para oferecer. Não quero ter essa morte. Mas já me senti assim em vida...

Beijos

Germano V. Xavier disse...

Gostei deste texto, meu camarada!
Muito bom.

Germano