domingo, 10 de fevereiro de 2008

Oração para os seios de Sofia

Pintura - Pierre-Auguste Renoir

Naquela manhã não precisava existir ternura, paixão, ou até mesmo ardência. Não precisava existir Deus. Naquela manhã não precisava existir pássaros, sóis, ou qualquer canto. Sombra. Seus seios eram a própria manhã. Seus seios amanheciam mesmo sem terem sido noite. Seus seios me comovem. Nada mais me é sublime depois dos seios de Sofia. Depois de seus seios passei a ser mais poeta. Tamanha a ternura dos seus seios que quase desisti de escrever. Como sublimar algo depois dos seus seios? Como chorar depois de descansar seus seios? Como não escrever depois dos seus seios? Como não chorar seus seios? Seus seios sugerem palavras, aromas, e inquieta as mãos. Efervesce o corpo e abranda alma. Seus seios são Deus existindo com veemência. Seus seios são pornográficos. Seus seios são santos. São sabor. Seus seios pecam e oram. Seus seios são preces. Seus seios silenciam o amor e convidam ao descanso. Seus seios diminuíram o poético das coisas para mim. Depois dos seus seios, morrer é apenas detalhe. Minha última lembrança será dos seus seios. Por mais bocas, mãos e olhares que existissem neles, seus seios eram solidão. Seus seios mataram o meu medo da morte.

Um comentário:

Diego Recife disse...

Imagina o resto! Muito bom o seu texto. Palavras bem colocadas.