domingo, 17 de fevereiro de 2008

Da série: Longínquos Amores – Uma Pequena Ode.

Pintura - Manet
Melina era soberba. Uma frase silenciosa de um romance, que se faz mais ouvida que todo o livro. Vestida de linguagem ela oferecia-se poema para mim. Sempre oferecendo-me a sua intimidade de uma forma dolorosa, chegando a doer. Daí descobri-me masoquista. Seu olhar era enigmático, uma mistura de paisagem e olhos fechados. Uma mulher repleta de deslumbramentos.
Seus olhos, egípcios. Suas vestes, épicas.
Vestira-se de tristeza diversas vezes e ficava elegante em tal traje. Nem o preto aderia tão bem a seus delineamentos quanto a tristeza. Seus cabelos eram chuva; derramados por sobre os ombros. Seus orgasmos pareciam intermináveis. Sua tristeza me fez insone em noites regadas a vermute e Bach.

5 comentários:

Maira Corossate disse...

Esses amores não são tão longínquos, ou você tem uma ótima memória. Brincadeira, mais um belo texto. abraços

Ebbios disse...

"Uma frase silenciosa de um romance, que se faz mais ouvida que todo o livro. Vestida de linguagem ela oferecia-se poema para mim."

Gostei muito dsse trecho. è incrivel como seus textos possuem um estilo que se pode reconhecer de longe...

Poeta do sub-mundo disse...

Acho que você não vive. Deve ficar só garimpando palavras. Vai escrever bem assim no inferno. Não, melhor não, se não o diabo vai passar a te adorar. e pelo mesmo ele tem que te odiar ora. abraços poeta.

gabriela disse...

muy bello....
aunque no hablo portugués, lo sé...
muy, muy bello...

Diego Recife disse...

concordo com o poeta ai de cima. Acho que você é um obsessivo da palavra.